tabanca

  A tabanca é uma festa tradicional popular, que se celebra anualmente nas ilhas de Santiago e Maio, entre os meses de abril e agosto, em honra dos santos católicos, tais como: Santa Cruz, Santo António, São João Baptista, São Pedro.

A palavra tabanca na Guiné-Bissau significa aldeia, mas em Cabo Verde, ganhou outro significado, onde, não obstante as festividades da tabanca serem celebradas em honra de um santo patrono, nenhum grupo da tabanca possui na sua denominação o nome do seu santo, mas sim da localidade a que pertence o grupo: tabanca de Achada Santo António, tabanca da Várzea, tabanca de Achada Grande, tabanca de Chã de Tanque, tabanca de Tomba-Touro, tabanca de Lém-Cabral, tabanca de Djarmai.

 Apesar de em Cabo Verde, a tabanca, não ter diretamente o mesmo significado que na Guiné-Bissau, representa um momento de exaltação e comunhão da comunidade onde é celebrada.

 Infelizmente, existe uma escassez de documentação histórica sobre a tabanca e o registo mais antigo conhecido seja provavelmente uma referência escrita sobre o desfile das tabancas na ilha de Santiago, na Carta Régia de 1712, comentado por Senna Barcellos. A tabanca surge, tal como reza a história de Cabo Verde, numa sociedade de cariz escravocrata, onde os escravos africanos reuniam-se para celebrar as suas festividades imitando as figuras de governador, militares, o rei, a rainha, entre outras figuras.

Os colonos europeus, não viram esta atitude com bons olhos porque viam um certo tipo de perigo de revolta organizada dos oprimidos. Por isso, a tabanca foi alvo de várias proibições legais, mas, mesmo assim, sobreviveu até hoje.

Provavelmente por causa de todo um discurso colonial detrator e alienante, elaborado com o intuito de erradicar totalmente as celebrações das festividades da tabanca, é que se explica, por um lado, o facto de as festividades da tabanca sejam atualmente praticadas pelas camadas mais desfavorecidas da população: pescadores, peixeiras, varredores de rua, vendedores ambulantes, agricultores, etc. E por outro, a sua permanência somente nas ilhas de Santiago e Maio, não tendo expandido pelas outras ilhas, e ainda a escassez da documentação sobre o tema.

A tabanca é basicamente caraterizada por um sincretismo que se traduz numa simbiose do sagrado e do profano. O toque de salva representa talvez o momento sagrado mais importante da tabanca, onde todo o ritual, conduzido pelo rei de corte, é basicamente celebrado através de toques rituais de tambor e rezas cantadas, que se pratica na capela ou corte do grupo da tabanca.

No mesmo espaço, no dia do santo patrono, pratica-se o roubo ritual do santo, que justifica a parte talvez mais conhecida das festividades da tabanca: o cortejo ou o desfile da busca do santo na casa do/a comprador/a do santo: rei ou rainha de agasalho, onde os ladrões da tabanca haviam vendido o santo.

No cortejo aparecem várias figuras, comandadas pelo rei de campo: rainha de campo, noiva, pomba, corvo, mandora, médico, finado, padre, militares armados com espingardas normalmente de madeira, negras, etc.

Também seguem no desfile aviões e barcos de madeira, num desfile animado pelos rufares de tambor e som de sopro das conchas de búzios, que se vai engrossando à medida que vai passando pelas diversas localidades até ao seu destino. A parte profana ou pagã tem a ver com as festanças, jocosidades, comensalidade, batuque e o uso de bebidas alcoólicas.

O Ministério da Cultura e das Industrias Criativas, através do Instituto do Património Cultural, pretende elevar esta festividade a Património Cultural Imaterial Nacional, ainda em 2018. Para o efeito, a Direção de Património Imaterial já tem em curso um inventário de base comunitária, condição sine qua non para sua classificação. Um trabalho que permitirá conhecer a situação actual dos vários grupos existentes nas ilhas de Santiago e Maio.

 

Grupos de Tabanca