Há 85 anos chegavam os primeiros presos no Campo de Concentração do Tarrafal

Há 85 anos chegavam os primeiros presos no Campo de Concentração do Tarrafal

Há precisamente 85 anos chegaram a Cabo Verde, seguindo-se para o Tarrafal de Santiago os primeiros 151 presos português deportados pelo regime do Estado Novo então vigente em Portugal, do total de 340 presos que passariam pelo Campo entre 1936 e 1954.

Desta leva, faziam parte Bento Gonçalves, líder do Partido Comunista Português (PCP) e Mário Castelhano, líder da Confederação Geral do Trabalho (CGT). Os restantes presos eram de diversas profissões das quais camponeses, soldados, operários, marinheiros, estudantes e intelectuais que tiveram a ousadia de desafiar o regime político vigente. Estes foram instalados em barracas de lona com deficientes condições de habitabilidade e de higiene.

O espaço era ambíguo e os próprios presos acabariam por colaborar na edificação daquilo que seria a colónia penal, desde logo escavando as valas para que nenhuma tentativa de fuga sucedesse. O isolamento, a péssima condição das instalações, da alimentação, falta de assistência médica ou de índole criminosa, acrescida pelas condições geográficas e os constantes maus tratos a que estavam sujeitos constituiria fator determinante para que já em 1937 se começasse a registar as primeiras mortes.

Durante o funcionamento da primeira fase do campo seriam 32 o número de presos portugueses a perder vida neste lugar, que se assumiria como o campo da morte lenta, pela angústia e sofrimento a que os mesmos eram votados até a morte.

Em 1953 o último preso português abonado o Campo e o espaço é encerado por cerca de 8 anos. Contudo, a ideologia de aprisionar pensamentos, desterrar, isolar e castigar ainda faziam parte do regime. Assim Tarrafal seria novamente espaço de deportação e carcere de presos políticos, desta, nacionalistas das antigas colónias, sendo os primeiros os angolanos em 1962, seguida de uma leva de 100 guineenses no mesmo ano e mais tarde os cabo-verdianos.

O Campo de concentração apesar de toda carga sentimental associada se revitaliza hoje como um espaço de memória das lutas pelas liberdades de pensamento de associação e de reunião dos povos, procurando promover o diálogo pela paz pela tolerância e diversidade. Estes foram os pressupostos da sua inclusão na lista indicativa da UNESCO, da sua reabilitação e musealização que procura promover a reflexão sobre o passado, para que o futuro se construa na base do diálogo e na promoção da paz para os povos de toda a humanidade.

Assista o documentário com os testemunhos dos presos que passaram pelo Campo de Concentração do Tarrafal!

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