{"id":845,"date":"2020-08-19T14:49:31","date_gmt":"2020-08-19T15:49:31","guid":{"rendered":"https:\/\/ipc.innovatmedialab.com\/?post_type=patromonio-imaterial&#038;p=845"},"modified":"2021-04-30T14:27:44","modified_gmt":"2021-04-30T15:27:44","slug":"lingua-cabo-verdiana","status":"publish","type":"patromonio-imaterial","link":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/patromonio-imaterial\/lingua-cabo-verdiana\/","title":{"rendered":"L\u00edngua Cabo-verdiana"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" id=\"ub-expand-b6e46ae5-c7f1-455e-a14b-4ff957da3474\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"false\" id=\"ub-expand-portion-\">\n\t\t\t\n\n<p>Conhecida como uma das primeiras l\u00ednguas surgidas em contexto de contacto lingu\u00edstico no per\u00edodo dos descobrimentos, a l\u00edngua cabo-verdiana, designa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica correta ou crioulo \/ kriolu como \u00e9 comum e carinhosamente apelidada pelos seus falantes \u00e9 o marco identit\u00e1rio do cabo-verdiano. T\u00e3o antiga quanto o pr\u00f3prio homem cabo-verdiano institui-se como o resultado de uma situa\u00e7\u00e3o de contacto de l\u00ednguas, que se viveu na ilha de Santiago, nos idos do seculo XV, entre o europeu e o contingente africano, num bin\u00f3mio dominador versus dominado do ponto de vista social, em que o grande n\u00famero de falantes de l\u00ednguas diferentes, versus o pouco n\u00famero de falantes da l\u00edngua portuguesa, e a estabilidade desta situa\u00e7\u00e3o de contacto, fez emergir num curto espa\u00e7o de tempo, uma nova l\u00edngua de comunica\u00e7\u00e3o, no s\u00e9culo XVII. Esta l\u00edngua se imp\u00f4s num contexto de cinco s\u00e9culos de domina\u00e7\u00e3o colonial portuguesa, sobrevindo como l\u00edngua materna, l\u00edngua ritual, l\u00edngua cultural e l\u00edngua vernacular. Entremeando, tal como em outras realidades de coloniza\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua do povo colonizador, no nosso caso, a portuguesa manteve-se como \u00fanica l\u00edngua oficial alvo de politica lingu\u00edstica de ensino, relegando \u00e0 l\u00edngua materna a gest\u00e3o pelo seu pr\u00f3prio falante, que durante s\u00e9culos o transmitiu informalmente, de gera\u00e7\u00e3o em gera\u00e7\u00e3o tornando-o num s\u00edmbolo nacional cujo valor cultural, identit\u00e1rio e de mem\u00f3ria \u00e9 partilhado por todos os cabo-verdianos, catapultando-a assim, para espa\u00e7os considerados formais ( igrejas, parlamento, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas) na mira de se constituir um bilinguismo efetivo.<\/p>\n\n\n\t\t\t<a id=\"\" class=\"ub-expand-toggle-button\" style=\"text-align: left; \" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-\" tabindex=\"0\">\n\t\t\t\tler mais\n\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/div>\n\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full ub-hide wp-block-ub-expand-portion\" aria-hidden=\"true\" id=\"ub-expand-portion-\">\n\t\t\t\n\n<p>As primeiras incurs\u00f5es pelo estudo das l\u00ednguas designadas crioulas datam do s\u00e9culo XIX, com Adolfo Coelho no ensaio \u201cOs dialectos rom\u00e2nicos ou neolatinos da Africa, Asia, e Am\u00e9rica\u201d reeditada pela Sociedade de Geografia de Lisboa, em 1967 e textos de Ant\u00f3nio de Paula Brito \u201cCrioulos-portugueses. Apontamentos para a gram\u00e1tica do crioulo que se fala na ilha de Santiago de Cabo Verde\u201d, 1885, que foram revistos por Adolfo coelho, importante fil\u00f3logo portugu\u00eas e, ainda, textos de Joaquim Vieira Botelho da Costa e Cust\u00f3dio Jos\u00e9 Duarte \u201cO Crioulo de Cabo Verde. Breves Estudos sobre o Crioulo das Ilhas de Cabo Verde\u201d oferecidos ao Dr. Hugo Schuchardt, contempor\u00e2neo de Adolfo Coelho e tamb\u00e9m pioneiro na valoriza\u00e7\u00e3o das l\u00ednguas crioulas.<\/p>\n\n\n\n<p>De Eug\u00e9nio Tavares, Pedro Cardoso, Napole\u00e3o Fernandes, passando por Baltazar Lopes da Silva, Dulce Almada Duarte a Manuel Veiga, escritores, poetas, linguistas contempor\u00e2neos, a l\u00edngua cabo-verdiana tem sido objeto de estudos nas suas mais variadas vertentes pressupondo a sua afirma\u00e7\u00e3o e valoriza\u00e7\u00e3o enquanto elemento identit\u00e1rio. Literatura, m\u00fasica, teatro t\u00eam sido \u00e1reas performativas de excel\u00eancia na sua valoriza\u00e7\u00e3o e testemunhos da sua capacidade para estabelecimento do di\u00e1logo intercultural, visto tamb\u00e9m ser a l\u00edngua de refer\u00eancia entre os cabo-verdianos e a comunidade estrangeira residente em Cabo Verde.<\/p>\n\n\n\n<p>N\u00e3o obstante as vicissitudes associadas \u00e0 sua normaliza\u00e7\u00e3o para o uso na escrita e a oficializa\u00e7\u00e3o, a l\u00edngua cabo-verdiana \u00e9 o elemento de comunica\u00e7\u00e3o e de transmiss\u00e3o de valores culturais com o qual todos os cabo-verdianos se identificam, independentemente de serem falantes ou n\u00e3o desta l\u00edngua. O mesmo reconhecimento \u00e9 demostrado por qualquer cidad\u00e3o que passa por Cabo Verde, que aqui vive ou ainda que convive com os cabo-verdianos na di\u00e1spora, pelo que o reconhecimento oficial enquanto patrim\u00f3nio imaterial e s\u00edmbolo da cabo-verdianidade dar-lhe-\u00e1 o prest\u00edgio e a dignidade condizentes com as fun\u00e7\u00f5es que desempenha nas v\u00e1rias esferas da sociedade e al\u00e9m-fronteira. A recente candidatura da morna a patrim\u00f3nio cultural imaterial da humanidade \u00e9 exemplo coevo da capacidade de a l\u00edngua cabo-verdiana extrapolar fronteiras e se afirmar como fator da diversidade cultural e lingu\u00edstica no mundo global, como demais foi sobejamente demonstrado e refor\u00e7ado em outras ocasi\u00f5es.<\/p>\n\n\n\t\t\t<a id=\"\" class=\"ub-expand-toggle-button\" style=\"text-align: left; \" role=\"button\" aria-expanded=\"true\" aria-controls=\"ub-expand-full-\" tabindex=\"0\">\n\t\t\t\tler menos\n\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>Conhecida como uma das primeiras l\u00ednguas surgidas em contexto de contacto lingu\u00edstico no per\u00edodo dos descobrimentos, a l\u00edngua cabo-verdiana, designa\u00e7\u00e3o t\u00e9cnica correta ou crioulo \/ kriolu como\u2026<\/p>","protected":false},"featured_media":630,"template":"","meta":[],"tags":[45],"class_list":["post-845","patromonio-imaterial","type-patromonio-imaterial","status-publish","has-post-thumbnail","hentry","tag-patrimonio-imaterial"],"_links":{"self":[{"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/patromonio-imaterial\/845","targetHints":{"allow":["GET"]}}],"collection":[{"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/patromonio-imaterial"}],"about":[{"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/types\/patromonio-imaterial"}],"wp:featuredmedia":[{"embeddable":true,"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media\/630"}],"wp:attachment":[{"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/media?parent=845"}],"wp:term":[{"taxonomy":"post_tag","embeddable":true,"href":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/wp-json\/wp\/v2\/tags?post=845"}],"curies":[{"name":"wp","href":"https:\/\/api.w.org\/{rel}","templated":true}]}}