{"id":5424,"date":"2021-11-10T10:05:00","date_gmt":"2021-11-10T11:05:00","guid":{"rendered":"https:\/\/ipc.cv\/?post_type=noticias&#038;p=5424"},"modified":"2021-11-10T10:06:20","modified_gmt":"2021-11-10T11:06:20","slug":"ha-85-anos-chegavam-os-primeiros-presos-no-campo-de-concentracao-do-tarrafal","status":"publish","type":"noticias","link":"https:\/\/ipc.cv\/fr\/noticias\/ha-85-anos-chegavam-os-primeiros-presos-no-campo-de-concentracao-do-tarrafal\/","title":{"rendered":"H\u00e1 85 anos chegavam os primeiros presos no Campo de Concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal"},"content":{"rendered":"<p class=\"wp-block-paragraph\">H\u00e1 precisamente 85 anos chegaram a Cabo Verde, seguindo-se para o Tarrafal de Santiago os primeiros 151 presos portugu\u00eas deportados pelo regime do Estado Novo ent\u00e3o vigente em Portugal, do total de 340 presos que passariam pelo Campo entre 1936 e 1954.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\"> Desta leva, faziam parte Bento Gon\u00e7alves, l\u00edder do Partido Comunista Portugu\u00eas (PCP) e M\u00e1rio Castelhano, l\u00edder da Confedera\u00e7\u00e3o Geral do Trabalho (CGT). Os restantes presos eram de diversas profiss\u00f5es das quais camponeses, soldados, oper\u00e1rios, marinheiros, estudantes e intelectuais que tiveram a ousadia de desafiar o regime pol\u00edtico vigente. Estes foram instalados em barracas de lona com deficientes condi\u00e7\u00f5es de habitabilidade e de higiene. <\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O espa\u00e7o era amb\u00edguo e os pr\u00f3prios presos acabariam por colaborar na edifica\u00e7\u00e3o daquilo que seria a col\u00f3nia penal, desde logo escavando as valas para que nenhuma tentativa de fuga sucedesse. O isolamento, a p\u00e9ssima condi\u00e7\u00e3o das instala\u00e7\u00f5es, da alimenta\u00e7\u00e3o, falta de assist\u00eancia m\u00e9dica ou de \u00edndole criminosa, acrescida pelas condi\u00e7\u00f5es geogr\u00e1ficas e os constantes maus tratos a que estavam sujeitos constituiria fator determinante para que j\u00e1 em 1937 se come\u00e7asse a registar as primeiras mortes.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Durante o funcionamento da primeira fase do campo seriam 32 o n\u00famero de presos portugueses a perder vida neste lugar, que se assumiria como o campo da morte lenta, pela ang\u00fastia e sofrimento a que os mesmos eram votados at\u00e9 a morte.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Em 1953 o \u00faltimo preso portugu\u00eas abonado o Campo e o espa\u00e7o \u00e9 encerado por cerca de 8 anos. Contudo, a ideologia de aprisionar pensamentos, desterrar, isolar e castigar ainda faziam parte do regime. Assim Tarrafal seria novamente espa\u00e7o de deporta\u00e7\u00e3o e carcere de presos pol\u00edticos, desta, nacionalistas das antigas col\u00f3nias, sendo os primeiros os angolanos em 1962, seguida de uma leva de 100 guineenses no mesmo ano e mais tarde os cabo-verdianos.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">O Campo de concentra\u00e7\u00e3o apesar de toda carga sentimental associada se revitaliza hoje como um espa\u00e7o de mem\u00f3ria das lutas pelas liberdades de pensamento de associa\u00e7\u00e3o e de reuni\u00e3o dos povos, procurando promover o di\u00e1logo pela paz pela toler\u00e2ncia e diversidade. Estes foram os pressupostos da sua inclus\u00e3o na lista indicativa da UNESCO, da sua reabilita\u00e7\u00e3o e musealiza\u00e7\u00e3o que procura promover a reflex\u00e3o sobre o passado, para que o futuro se construa na base do di\u00e1logo e na promo\u00e7\u00e3o da paz para os povos de toda a humanidade.<\/p>\n\n\n\n<p class=\"wp-block-paragraph\">Assista o document\u00e1rio com os testemunhos dos presos que passaram pelo Campo de Concentra\u00e7\u00e3o do Tarrafal!<\/p>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>H\u00e1 precisamente 85 anos chegaram a Cabo Verde, seguindo-se para o Tarrafal de Santiago os primeiros 151 presos portugu\u00eas deportados pelo regime do Estado Novo ent\u00e3o vigente em Portugal, do total de 340 presos que passariam pelo Campo entre 1936 e 1954. 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