{"id":848,"date":"2020-08-19T14:53:24","date_gmt":"2020-08-19T15:53:24","guid":{"rendered":"https:\/\/ipc.innovatmedialab.com\/?post_type=patromonio-imaterial&#038;p=848"},"modified":"2021-04-30T15:01:42","modified_gmt":"2021-04-30T16:01:42","slug":"tabanca","status":"publish","type":"patromonio-imaterial","link":"https:\/\/ipc.cv\/cv\/patromonio-imaterial\/tabanca\/","title":{"rendered":"Tabanca"},"content":{"rendered":"<div class=\"wp-block-ub-expand ub-expand\" id=\"ub-expand-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" data-scroll-type=\"false\" data-scroll-amount=\"\" data-scroll-target=\"\">\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-partial wp-block-ub-expand-portion\" id=\"ub-expand-partial-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" aria-hidden=\"false\">\n\t\t\t\n\n<p>As festividades da tabanca se iniciam com um conjunto de preparativos que culminam com as atividades no dia do santo patrono do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade da Praia, os preparativos se iniciam normalmente algumas semanas antes do dia do santo patrono, com a angaria\u00e7\u00e3o de fundos junto de entidades p\u00fablicas e privadas e na pr\u00f3pria comunidade.<\/p>\n\n\n\n<p>Esses apoios financeiros servem para a compra de elementos decorativos para a ornamenta\u00e7\u00e3o da corte, manuten\u00e7\u00e3o e renova\u00e7\u00e3o de instrumentos musicais e outros equipamentos que fazem parte do desfile de buska santu,\u00a0aquisi\u00e7\u00e3o de alimentos e outros utens\u00edlios necess\u00e1rios para a comensalidade do grupo, durante toda a festividade, a\u00a0confe\u00e7\u00e3o da indument\u00e1ria do grupo e o\u00a0pagamento da d\u00edvida \u00e0 rainha ou ao rei di gazadju.<\/p>\n\n\n\t\t\t<a id=\"ub-expand-toggle-partial-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" class=\"ub-expand-toggle-button\" style=\"text-align: left; \" role=\"button\" aria-expanded=\"false\" aria-controls=\"ub-expand-full-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" tabindex=\"0\">\n\t\t\t\tler mais\n\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/div>\n\n<div class=\"ub-expand-portion ub-expand-full ub-hide wp-block-ub-expand-portion\" id=\"ub-expand-full-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" aria-hidden=\"true\">\n\t\t\t\n\n<p>Habitualmente durante uma semana antes do dia do santo patrono, se iniciam as atividades com o toque de salva na capela do grupo, que consiste numa cerim\u00f3nia sagrada presidida pelo rei di korti ao anoitecer, que \u00e9 equivalente \u00e0 reza do ter\u00e7o cat\u00f3lico, atrav\u00e9s de toques rituais de tambor, beijo e dan\u00e7a das varas de salva; apresenta\u00e7\u00e3o e dan\u00e7a da bandeira pelo rei de corte; c\u00e2ntico da ladainha e finalizada com o toque da tabanca. Paralelamente, um grupo de mulheres v\u00e3o preparando uma canja para todos os presentes. Seguidamente celebra-se o batuku no terreiro, num espa\u00e7o em c\u00edrculo \u00e0 frente da capela da tabanca e no meio normalmente as mulheres dan\u00e7am pela noite adentro ao som da txabeta, que marca o compasso do batuku. Nas v\u00e9speras do dia do santo patrono o batuku \u00e9 celebrado at\u00e9 ao amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior da ilha de Santiago os grupos iniciam as suas festividades alguns dias antes do dia do seu respetivo santo patrono com uma reuni\u00e3o entre os seus membros, que \u00e9 normalmente presidida pelo rei do grupo, com o intuito de serem tomadas de todas as decis\u00f5es importantes para o bom desenrolar das suas festividades. Essas decis\u00f5es est\u00e3o sobretudo relacionadas com a utiliza\u00e7\u00e3o dos fundos angariados pelo grupo, nomeadamente atrav\u00e9s de quotas dos membros, institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas e privadas, remessas de antigos membros ou familiares que se encontram na di\u00e1spora, entre outros.<\/p>\n\n\n\n<p>Nas v\u00e9speras do dia do santo patrono do grupo, alguns membros dirigem-se de manh\u00e3 \u00e0 capela da tabanca para efetuar a ornamenta\u00e7\u00e3o da corte, que localmente se designa por arma korti. Outros membros v\u00e3o enfeitando em simult\u00e2neo as ruas da localidade, por onde passar\u00e3o a prociss\u00e3o e o desfile da tabanca. \u00c0 tardinha, os homens procedem \u00e0 matan\u00e7a de animais (porco e cabra), para a festividade. As mulheres re\u00fanem-se para os preparativos da comida e recolhem os utens\u00edlios de cozinha na vizinhan\u00e7a, uma vez que os do grupo ser\u00e3o insuficientes para toda a gente que acorre \u00e0 festa. Confecionam sopa para os que est\u00e3o presentes enquanto o batuque se prossegue at\u00e9 ao amanhecer. Durante a madrugada, colocam o feij\u00e3o ao lume, que ser\u00e1 usado no card\u00e1pio da grande comensalidade popular no dia do santo patrono.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade do Porto Ingl\u00eas, ilha do Maio, por volta do d\u00e9cimo dia do m\u00eas de abril, um grupo de pessoas, na sua maioria membros da Tabanca Djarmai, provenientes principalmente duma zona denominada Pariba, deambulam, ao som do toque do tambor e das cantadeiras, pela cidade de casa em casa pedindo ajudas para as festividades da tabanca, cujo culminar se celebra no dia 3 de maio, dia do seu santo patrono: Santa Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>Cada um oferece aquilo que pode, de acordo com a sua condi\u00e7\u00e3o financeira e todas as ajudas s\u00e3o consideradas de igual modo. Os membros da tabanca contam ainda com as ajudas provenientes das outras localidades da ilha, das remessas dos emigrantes que todos os anos regressam \u00e0 terra natal para assistir orgulhosamente as festas de Santa Cruz e, dalgumas institui\u00e7\u00f5es p\u00fablicas, nomeadamente o Minist\u00e9rio da Cultura e a C\u00e2mara Municipal local.<\/p>\n\n\n\n<p>Cerca de uma semana antes do dia de Santa Cruz d\u00e1-se o encontro entre a rainha e o rei da Tabanca Djarmai, que tamb\u00e9m s\u00e3o os ju\u00edzes da festa de Santa Cruz. Antes disso, a rainha manda lan\u00e7ar um foguete nos arredores da sua casa, de seguida o rei manda fazer o mesmo, em jeito de resposta. A rainha e o seu cortejo saem, ao som do tambor, das cornetas (conchas do b\u00fazio) e das cantadeiras, ao encontro do rei, que tamb\u00e9m sai acompanhado do mesmo modo, mas coberto com uma colcha segurada nas quatro pontas, pelos seus acompanhantes. Ap\u00f3s o encontro, os dois grupos fundem-se e formam um \u00fanico cortejo que vai em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 casa da rainha.<\/p>\n\n\n\n<p>A casa da rainha transforma-se no espa\u00e7o onde se vai desenrolar toda a festividade da tabanca. Com a chegada de v\u00e1rias pessoas de diferentes localidades da ilha, trazendo cada uma alguma oferta, sobretudo g\u00e9neros aliment\u00edcios e bebidas, procede-se aquilo que chamam de kotxida, que consiste na tritura\u00e7\u00e3o do milho no pil\u00e3o, animada pelo som do tambor e das cantigas das cantadeiras e simultaneamente \u00e0 matan\u00e7a de animais. Levam-se panelas ao lume, distribui-se a comida a base do milho, xer\u00e9m e cachupa, e faz-se o batuku no meio do terreiro, noite adentro. Este ritual repete-se at\u00e9 as v\u00e9speras do dia de Santa Cruz.<\/p>\n\n\n\n<p>O dia 2 de maio \u00e9 o dia da ornamenta\u00e7\u00e3o da corte, na qual participam essencialmente as mulheres. Trata-se de uma longa tarefa que exige bastante conhecimento da t\u00e9cnica e que consiste na fixa\u00e7\u00e3o de um len\u00e7ol branco na parede, onde s\u00e3o pregados len\u00e7os em forma de cruz, bolos, rebu\u00e7ados, etc. \u00c0 frente do len\u00e7ol coloca-se uma mesa sobre a qual se enfeita o altar, onde ser\u00e3o colocados velas e os s\u00edmbolos sagrados: a cruz de madeira e os bonecos, sendo que o macho representa o juiz e a f\u00eamea, a ju\u00edza. No teto abre-se uma colcha de cor azul, que representa o c\u00e9u e \u00e9 assim designado, onde se afixa tamb\u00e9m os mesmos produtos que no len\u00e7ol. Este \u00e9 o espa\u00e7o sagrado da festividade. Neste dia as festividades tradicionalmente v\u00e3o at\u00e9 ao amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p><strong>Dia do Santo Patrono:\u00a0<\/strong>na cidade da Praia, de manh\u00e3 cedo, os ladr\u00f5es e outros cativos dirigirem-se \u00e0 igreja para assistirem \u00e0 missa solicitada pela tabanca, celebrada em honra do santo patrono. Ap\u00f3s a missa, os ladr\u00f5es regressam \u00e0 localidade e tomam o pequeno-almo\u00e7o no pequeno quintal da capela da tabanca. De seguida, v\u00e3o para a corte para roubar o santo no altar, que se encontra geralmente guarnecido por um grupo de soldados. O santo, que \u00e9 roubado, \u00e9 representado por uma bandeirinha branca com uma pequena cruz vermelha no meio e uma vara de salva.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s conseguirem efetuar o roubo do santo, os ladr\u00f5es correm rapidamente para fora da capela exibindo publicamente a sua vit\u00f3ria e dirigem-se para a casa da rainha ou rei de agasalho para venderem o santo e coloca-se a bandeira do santo patrono a meia haste, que \u00e9 usualmente i\u00e7ado \u00e0 frente da capela. O grupo demonstra, assim, que est\u00e1 de luto, por causa do santo que j\u00e1 foi roubado.<\/p>\n\n\n\n<p>Chegados \u00e0 casa da rainha ou rei de agasalho, que \u00e9 a pessoa que se compromete com o grupo para comprar o santo durante sete anos, os ladr\u00f5es negoceiam a venda do santo com a rainha ou o rei de agasalho. Depois da efetiva\u00e7\u00e3o do neg\u00f3cio, a rainha ou o rei de agasalho manda guardar o santo num local seguro e manda oferecer um banquete aos ladr\u00f5es e estabelece-se ali um conv\u00edvio. No fim, os ladr\u00f5es combinam com a rainha ou rei de agasalho o dia da busca do santo pelo grupo da tabanca, de acordo com a disponibilidade da rainha ou o rei de agasalho.<\/p>\n\n\n\n<p>Seguidamente, os ladr\u00f5es regressam \u00e0 localidade para tentar ganhar a bandeira ou o santo, que consiste no tocar na bandeira a meia haste na rua antes de serem capturados pela guarni\u00e7\u00e3o da bandeira ou agarrar o rei ou a rainha de corte, antes de serem capturados pelos soldados da tabanca. Se conseguirem ganhar a bandeira ser\u00e3o ilibados, caso contr\u00e1rio, ser\u00e3o submetidos aos interrogat\u00f3rios e a\u00e7oitados. Ap\u00f3s isso, distribui-se comida e bebida para todo o mundo que estiver ali presente e festeja-se pela noite dentro.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia da busca do santo, todo o mundo se dirige para a capela da tabanca. Come\u00e7am-se os preparativos para o desfile com o toque de caminho, que \u00e9 efetuado por um rapaz que transporta uma vara de salva, seguido de dois tamboreiros. No final, o rei de corte toma a vara de salva e preside uma curta cerim\u00f3nia de toque de salva e, no fim, ordena o in\u00edcio do desfile.<\/p>\n\n\n\n<p>O cortejo sai da localidade com o comandante \u00e0 frente e as suas tropas, vai a rainha e o rei de campo acompanhadas pelas filhas de santo e pelo rei e a rainha de corte, a mandora, que organiza as negras da tabanca. O carrasco, que vai organizando e protegendo o grupo das restantes pessoas alheias ao grupo. Os tamboreiros e os corneteiros que v\u00e3o animando a multid\u00e3o com os ritmos fren\u00e9ticos do tambor e do b\u00fazio. \u00c0 medida que o grupo vai passando pelas diversas localidades o desfile vai se engrossando com mais pessoas.<\/p>\n\n\n\n<p>Enquanto o desfile se decorre, na casa da rainha ou o rei de agasalho o falc\u00e3o vai tentar roubar o santo. Se ele n\u00e3o conseguir efetivar o seu intento, ao fim de algum tempo a rainha ou o rei de agasalho se compadece dele e lhe devolve somente a bandeirinha e mantem-se com a vara na sua posse como forma de garantir a devolu\u00e7\u00e3o da quantia com a qual havia comprado o santo, pelo grupo da tabanca. Por vezes, a rainha ou o rei de agasalho, por sua livre e espont\u00e2nea vontade, pode perdoar a metade ou a totalidade da d\u00edvida, em prol da sua d\u00e1diva para o santo, que fica para o fundo do grupo.<\/p>\n\n\n\n<p>O falc\u00e3o corre em dire\u00e7\u00e3o do grupo que vem se aproximando em cortejo, que, por sua vez, chegado perto da casa da rainha ou rei de agasalho, o grupo abranda o passo e os tambores e corneteiros passam a tocar a salva e quando o falc\u00e3o chegar ao seu encontro e entregar a bandeira ao rei de campo ou na aus\u00eancia dele, ao rei de corte, os tambores e as cornetas voltam a tocar freneticamente e o desfile toma o rumo para a casa da rainha ou rei de agasalho. Na casa da rainha ou rei de agasalho o rei de corte comanda o toque de salva o grupo entra na casa e, no fim, o grupo deixa depositado ao p\u00e9 de um pequeno altar improvisado pela rainha ou o rei de agasalho os materiais que levaram: os tambores, as cornetas, os barcos, os avi\u00f5es, as espingardas, entre outras coisas, transformando o espa\u00e7o numa corte tempor\u00e1ria. De seguida, todos v\u00e3o disfrutar da comida e da bebida e um grande conv\u00edvio at\u00e9 madrugada.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, o grupo se organiza para regressar em desfile \u00e0 sua localidade. Ao regressar recolocam o santo no altar. Para terminar as festividades daquele ano, organiza-se num outro dia uma cerim\u00f3nia que \u00e9 localmente designada por l\u00e1ba tripa e que consiste numa festa para se consumir todos os produtos aliment\u00edcios facilmente perec\u00edveis, que sobraram.<\/p>\n\n\n\n<p>No interior da ilha de Santiago, no dia do santo patrono, a pedido da tabanca, o p\u00e1roco celebra a missa na localidade na capela da tabanca, seguido da prociss\u00e3o pelas ruas da localidade. Normalmente \u00e0 noite, os padres de reza dirigem a ladainha na capela da tabanca. Seguidamente os presentes re\u00fanem-se para a festa da tabanca e o batuque at\u00e9 ao amanhecer.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia seguinte, os membros do grupo concentram-se na capela para organizar uma sa\u00edda para fora da localidade, onde fazem visitas a familiares e amigos de Santo patrono e depois realizam uma visita de cortesia \u00e0 rainha ou rei de oferta, onde servir-lhes-\u00e3o comida, bebida e uma oferta monet\u00e1ria para o fundo do grupo. Todos os anos cada grupo tem a obriga\u00e7\u00e3o de efetuar este ritual aos antigos reis e rainhas de oferta, que localmente denominam de b\u00e1xa koroa. Ao regressar \u00e0 localidade distribui-se comida e bebida para todos os presentes e depois festeja-se a tabanca e o batuque at\u00e9 madrugada.<\/p>\n\n\n\n<p>No dia subsequente, o grupo se dirige para a casa do atual rei ou a rainha de oferta, onde ser\u00e3o recebidos com comida, bebida e oferenda monet\u00e1ria para o fundo do grupo.\u00a0 Durante o trajeto o grupo vai visitando os v\u00e1rios emigrantes que regressam \u00e0 terra natal, para visitar a fam\u00edlia e assistir as festividades. Posteriormente, o grupo regressa, sob o comando do rei ou rainha de oferta, que vai acompanhado no desfile pelos seus convidados, para a localidade da tabanca. Ali, ser\u00e3o tamb\u00e9m recebidos com comida, bebida, festa da tabanca e batuque, na capela tabanca, que durar\u00e1 at\u00e9 de madrugada. Depois disso, o grupo far\u00e1 uma pausa por alguns dias.<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s isso, o grupo organiza a cerim\u00f3nia da arremata\u00e7\u00e3o p\u00fablica dos g\u00e9neros aliment\u00edcios com os quais foram ornamentados a corte, nomeadamente banana, cana-de-a\u00e7\u00facar, manga, mandioca, entre outros, mas desde que n\u00e3o seja numa sexta-feira, porque normalmente existe um mau ausp\u00edcio com a realiza\u00e7\u00e3o da arremata\u00e7\u00e3o nesse dia. Ap\u00f3s isto, d\u00e1-se por terminada a festividade da tabanca.<\/p>\n\n\n\n<p>Na cidade do Porto Ingl\u00eas, no dia 3 de maio, dia de Santa Cruz, pela manh\u00e3 reza-se uma missa, em honra de Santa Cruz, na igreja matriz.<\/p>\n\n\n\n<p>\u00c0 tarde, o cortejo sai da casa da ju\u00edza em dire\u00e7\u00e3o \u00e0 cruz, que fica situada na Salina. \u00c0 frente do cortejo vai a cruz de madeira, que \u00e9 geralmente transportada por um rapaz. Seguidamente vem os dois criados, um rapazinho que leva o boneco e uma menininha com a boneca, \u00e0 frente dos ju\u00edzes da festa. Atr\u00e1s seguem os rezadores, que fazem todo o percurso cantando a ladainha. Alguns fieis acompanham este grupo rezando o ter\u00e7o pelo caminho. Logo ap\u00f3s, vem o grupo da tabanca de Djarmai, que se distancia alguns metros do grupo anterior, ao som do toque do tambor e das cornetas salvaguardando, deste modo, uma divis\u00e3o entre o sagrado e o profano. E por \u00faltimo, vem os ju\u00edzes da tabanca Jovem, acompanhados pelo seu grupo tamb\u00e9m ao som do toque do tambor e das cornetas. Na Salina, os fi\u00e9is se re\u00fanem \u00e0 frente da cruz, todo enfeitado com flores e onde ser\u00e3o depositados na sua base a cruz de madeira e os bonecos. Procede-se ent\u00e3o \u00e0 cerim\u00f3nia sagrada, normalmente liderada pelo p\u00e1roco local e no fim ser\u00e3o anunciados, pelo presidente do grupo da tabanca de Djarmai, os ju\u00edzes dos grupos da Tabanca de Djarmai e da Tabanca Jovem, para o pr\u00f3ximo ano.<\/p>\n\n\n\n<p>No regresso, os grupos da tabanca desfilam circulando tr\u00eas vezes a cruz e depois seguem o seu caminho de retorno, no cortejo com a mesma ordem anterior. O cortejo, antes de chegar ao seu destino, a casa da ju\u00edza, vai fazendo uma curta pausa nas casas dos antigos ju\u00edzes de Santa Cruz e, por \u00faltimo, a casa da nova ju\u00edza antes da casa da ju\u00edza da festa. Uma vez chegados na casa da ju\u00edza, onde lhes aguarda uma copiosa festan\u00e7a, antes os ju\u00edzes fazem o invent\u00e1rio das mesas, das panelas, bebidas, entre outros produtos e entregam-no num papel aos ju\u00edzes do pr\u00f3ximo ano. De seguida, faz-se a abertura das mesas e todos presentes v\u00e3o desfrutar da festan\u00e7a que prossegue pela noite adentro.<\/p>\n\n\n\n<p>Nos pr\u00f3ximos dias, os fieis v\u00e3o \u00e0 tardinha na casa da ju\u00edza para rezar o ter\u00e7o na corte e no fim distribui-se cachupa e canja de galinha e arroz.<\/p>\n\n\n\n<p>Alguns dias depois, procede-se, tradicionalmente numa sexta-feira ou s\u00e1bado, \u00e0 \u00faltima cerim\u00f3nia que marca o fim das festividades da tabanca de Santa Cruz, na ilha do Maio: xinta cruz. Nas v\u00e9speras, toca-se o tambor at\u00e9 o amanhecer. Por volta das cinco horas de manh\u00e3 faz-se a tirada da corte. Primeiro, tira-se todos os objetos colocados no len\u00e7ol e, por ultimo, o len\u00e7ol. Depois tira-se todos os objetos colocados no \u201cc\u00e9u\u201d e seguidamente a colcha. Toda a desmontagem da corte \u00e9 feita ao som do toque cerimonial do tambor.<\/p>\n\n\n\n<p>A cruz de madeira leva-se para a casa da pessoa que se tinha previamente manifestado dispon\u00edvel para guard\u00e1-la at\u00e9 o pr\u00f3ximo ano.\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Os bonecos ser\u00e3o entregues \u00e0 ju\u00edza do ano seguinte, a sucessora da rainha da Tabanca de Djarmai, que os envia imediatamente para cada casa das doze localidades, circulando a ilha: Barreiro, Figueiras, Ribeira Dom Jo\u00e3o, Pil\u00e3o C\u00e3o, Alcatraz, Pedro Vaz, Santo Ant\u00f3nio e Praia Gon\u00e7alo, Cascabulho, Morrinho, Calheta, Morro e regressa ao Porto Ingl\u00eas. Por cada casa que passam as pessoas beijam-nas e rezam o ter\u00e7o e mandam oferecer aquilo que podem \u00e0 ju\u00edza. Normalmente os bonecos s\u00e3o enviados no m\u00eas de maio e regressam no m\u00eas de mar\u00e7o ou abril, do ano seguinte. A ju\u00edza ter\u00e1 de vestir novamente os bonecos com cetim branco na \u00e9poca da festa de Santa Cruz, porque regressam praticamente sujos, por causa de tanto manuseamento.\u00a0\u00a0\u00a0\u00a0<\/p>\n\n\n\n<p>Ap\u00f3s um exaustivo processo de invent\u00e1rio com as comunidade, o Estado de Cabo Verde classificou a Manifesta\u00e7\u00e3o da Tabanca como Patrim\u00f3nio Cultural Imaterial Nacional, a 9 de Agosto de 2019, data em que tamb\u00e9m se elevou a L\u00edngua Cabo-verdiana a Patrim\u00f3nio Nacional.<\/p>\n\n\n\t\t\t<a id=\"ub-expand-toggle-full-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" class=\"ub-expand-toggle-button\" style=\"text-align: left; \" role=\"button\" aria-expanded=\"true\" aria-controls=\"ub-expand-full-1adce074-5515-48fc-9386-b5e7717270ec\" tabindex=\"0\">\n\t\t\t\tler menos\n\t\t\t<\/a>\n\t\t<\/div>\n<\/div>","protected":false},"excerpt":{"rendered":"<p>As festividades da tabanca se iniciam com um conjunto de preparativos que culminam com as atividades no dia do santo patrono do grupo. 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