MCIC conf morna

A diferença do outro pode sempre ser percebida, mas nunca sentida. Neste contexto, é necessário ajudar a criar meios para que a inclusão seja uma realidade, incentivando, construindo e fazendo a mudança, “para que ninguém fique de fora. Ninguém pode ficar de fora”.

Este foi o desejo expressado pelo Ministro da Cultura e das Indústrias Criativas, Abraão Vicente, durante a abertura da conferência “Morna di nôs tudu”, que está enquadrado dentro do projeto “Morna Acessível e Inclusiva” de um portador de deficiência visual que não se bateu por este pequeno percalço na sua vida e quer dar, também, o seu contributo e o seu apoio à morna e à sua candidatura.

O processo de candidatura, em si, já é acessível e inclusivo e agora mais ainda com este projeto que visa melhorar o conhecimento dos deficientes visuais sobre a cultura, a história, o património imaterial e a própria morna.

“A morna, o nosso património imaterial e as nossas instituições estão abertas a todos aqueles que queiram dar o seu contributo. Queremos dar um sinal claro à sociedade civil que estamos atentos a todas as franjas e queremos promover de forma mais ampla possível, não só a candidatura, mas a própria difusão da morna”, disse ainda o governante.

A candidatura da Morna a Património Cultural Imaterial da Humanidade tem recebido apoios da sociedade civil e com este projeto ajuda-o a ser ainda mais acessível e inclusiva. “Acreditamos que todo o cabo-verdiano pode contribuir para a elevação da morna nesta caminhada. E, foi nessa lógica que incluímos os portadores de deficiência visual. Ou seja, não acreditamos que porque uma pessoa possui uma deficiência não possa contribuir para o engrandecimento da Morna. Mais ainda, queremos dar a conhecer o processo da candidatura da Morna a todos, assim como, a forma que estamos a gerir o nosso património imaterial. Deixo aqui, ainda, um apelo: que ninguém se sinta excluído nos processos maiores em Cabo Verde”.

Recorde-se que Cabo Verde aprovou, por unanimidade em sede parlamentar, a adesão ao Tratado de Marraquexe que versa sobre acessibilidade a obras publicadas às pessoas portadoras de deficiência visual ou com outras dificuldades para aceder ao texto impresso.

Na conferência “Morna di nôs tudu” foram debatidos temas como “A morna como património imaterial”, “O processo da candidatura da morna” e “A importância da música – o caso da morna na vida de um invisual”. A abertura contou ainda com a presença do presidente do Instituto do Património Cultural, Hamilton Jair Fernandes, que destacou que este é um dos projetos enquadrados na agenda Morna que mais entusiasmo tem trazido e ainda Fredilson Silva, mentor do projeto e membro da ADEVIC.

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