o mulato

Há menos de um mês da celebração do dia internacional da memoria do tráfico de escravos e sua abolição, o 23 de agosto, a Embaixada do Brasil em Cabo Verde relançou, no IILP - Instituto Internacional da Língua Portuguesa, “O Mulato em BD”, desta feita sob o selo "Rota do Escravo: resistência, liberdade, herança", atribuído pela UNESCO.

O Mulato é uma adaptação da obra naturalista, escrita pelo escritor Aluisio Azevedo em 1881, que denuncia o preconceito racial e social, a corrupção e ao clero, em pleno século XIX.

A obra apresenta a não aceitação do outro, mas principalmente de si próprio, no caso de Raimundo. Um mulato que ignora a própria cor e a sua condição de filho de escravo. Sendo doutor, e tendo estudado na Europa, não entende as reservas da sociedade para com ele, e que o leva a um triste desfecho.

Uma obra que no dizer de Hamilton Jair Fernandes, Presidente do IPC - Instituto do Património Cultural, promove o resgate à investigação histórica de uma temática necessária.

“O negro, a escravatura, o preconceito racial e social. Necessária não do ponto de vista acusatório, mas sim, o não permitir que o mesmo perdure. Nos traz a história que pode servir de instrumento educativo, pelo seu carater lúdico, pedagógico e com uma linguagem que permite aos mais novos compreenderem alguns fatos históricos e seus efeitos sobre a sociedade atual”.

Fernandes aproveitou para reforçar o compromisso do IPC, entidade do Estado de Cabo Verde que tem sob sua competência o resgate da história e da memória, em transformar este legado em aprendizagem com capacidade de perpetuar para as próximas gerações.

Para a autora Gildaris Pandim, autora do projeto, reescrever a estória do Mulato em banda desenhada teve como objetivos o restabelecer dos laços entre Cabo Verde e Brasil e despertar o interesse pela leitura em quadrinhos.

Os primeiros mil exemplares, da primeira edição, foram distribuídos nas escolas nas ilhas de santiago, São Vicente e Maio, e os produtores tem recebido feedback positivo desta história, que segundo o desenhista cabo-verdiano, Hegui Mendes, que tanto se "assemelha à nossa".

De referir que a Embaixada do Brasil vai ofertar 200 exemplares de “O Mulato” para o Gabinete de Educação Patrimonial, afeto ao IPC, para serem utilizadas em suas atividades de sensibilização.

O momento foi ainda de entrega de prémios do concurso de banda desenhada realizada pela embaixada do Brasil em Cabo Verde, em parceria com a Biblioteca Nacional de Cabo Verde.

Os vencedores do concurso verão sua obra publicada em breve. São eles Júlio Silva e Tamara Silva, que adaptaram para banda desenhada o conto “Menos Um” de Teixeira de Sousa.

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