Tabanca Tchada

O mês de junho é de importante movimentação popular um pouco por Cabo Verde. A tabanca é uma das movimentações culturais que mexe com a ilha de Santiago e a ilha do Maio, particularmente, por esta época.

Para além de um património imaterial nacional, a Tabanca é a representação mais significativa da construção da nossa própria identidade. Essa movimentação cultural, hoje transformada num momento de festa e de celebração, representou um momento de libertação do período colonial, mas também um período de uma sociedade com uma estrutura escravocrata.

O Ministro da Cultura e das Indústrias criativas, Abraão Vicente, participou, nesta quarta-feira – 13 de junho – do “roubo de santo” da capela de tabanca, em Achada Santo António. O governante fez questão de estar presente nesta atividade num apoio constante às movimentações culturais que são carregadas de história e que preservam a memória imaterial do povo cabo-verdiano. “Em abril assinamos um acordo com 15 grupos de tabanca das ilhas de Santiago e Maio, num valor de 200 contos individuais. Esse protocolo faz parte do projeto de valorização e salvaguarda da tabanca e nesta fase serve para a recuperação da indumentária e também das casas de tabanca. Dessa forma podemos garantir que os desfiles da tabanca e todo o ritual à volta seja feita com maior dignidade”.

A sátira é um dos principais elementos dessa movimentação cultural de uma sociedade, vinda de uma estrutura escravocrata e que passou por um longo período colonial tinha “um espaço social onde podiam livremente satirizar a sociedade tal como ela era preservada”.

Os incentivos para que “tabanca ka morri” é feito através do IPC - Instituto do Património Cultural que tem trabalhado, afincadamente, para a salvaguarda e recuperação do património material e imaterial de Cabo Verde.

“Recuperar a tabanca é recuperar a nossa memória imaterial e a história viva do processo da construção da identidade nacional. Da tabanca vemos o início da construção da identidade cabo-verdiana e provavelmente muito daquilo que as vezes recusamos como parte da nossa identidade. Hoje a tabanca é uma festa essencialmente popular, vivida pelo povo nos bairros. Por isso a nossa presença aqui é tão forte e faço questão de todos os anos estar presente”.

Texto e foto: MCIC

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