Sino Dromcruil

Há 133 anos naufragara nos mares da ilha da Boa Vista, o Navio Drumcruil, proveniente da Inglaterra. Drumcruill vinha de Iquique no Chile, rumo a Dover no Reino Unido com 5.900 toneladas de nitrato e trinta e três tripulantes a bordo, tendo escalado Montevideu (Uruguai) e a 18 de abril rumado para o seu destino final, cruzando o Atlântico, tendo terminado a viagem na ilha das dunas.
 
Oitenta e quatro anos depois, ainda sem explicação sobre o trajeto Boa Vista-Santiago, chegaria à Escola Ex EBC no Concelho do Tarrafal o Sino Drumcruil. E durante 30 anos marcou a entrada e saída das aulas dos alunos da localidade.
 
Há seis anos, descoberto seu valor patrimonial, o investigador Emanuel Charles D’Oliveira tudo fez para que este bem ganhasse o devido reconhecimento na história do panteão dos naufrágios que abundam os mares de Cabo Verde.
 
Hoje, a 7 de Maio de 2018, 133 anos após o naufrágio, a Delegação do Ministério da Educação de Cabo Verde, do Município do Tarrafal, procedeu a doação formal do Sino ao Instituto do Património Cultural, por meio de um termo de doação.
 
Uma “transferência incondicional, por livre e espontânea vontade, a título gratuito e sem quaisquer restrições quanto a efeitos patrimoniais e financeiros, todos os direitos sobre o objeto doado nesta data, e aceite nas condições em que se encontra.
Após a avaliação técnica e cultural do objeto, o IPC responsabiliza-se pela guarda, segurança e conservação do referido bem e ficará autorizada a incorporar o acervo, utilizá-lo para fins culturais e educativos, para a público em geral possa usar e dispor como sua, que é e fica sendo, a partir desta data”, lê-se no termo de doação.
 
Um termo assinado pela Delegada, na qualidade de doadora, Maria Judith Costa Soares, e pelo Coordenador da Direção de Museologia e Museus, na qualidade de recetor, Adilson Dias. E ainda, pelas testemunhas Dúnia Moreira Pereira e Emanuel Charles D’Oliveira.
 
Para o coordenador da DMM, este ato de doação é um sinal de que outras instituições estão do lado do IPC na preservação da memória coletiva.
 
“Um Sino que tinha uma história debaixo de água, que ganhou nova vida na escola e agora segue para o Museu de Arqueologia da Praia, onde todos poderão conhecer este seu longo percurso. É motivo de orgulho para o IPC, ver o sentimento de pertença a este bem, mas principalmente vontade de preservar o legado que comporta”, afirmou Dias.
 
A Delegada de Educação do Tarrafal demonstrou-se satisfeita por ver o sino ganhar um “destino digno”, numa cerimonia muito emotiva para os professores e funcionários que durante 30 anos estiveram acompanhados pelo som do Drumcruil.
 
A Doação do Sino ao IPC contou com a presença do Vereador da Cultura do Município do Tarrafal - Santiago e da Coordenadora da Escola Ex EBC.

 

 

 

 

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