workshop gestao urbanaO Sítio Histórico da Cidade Velha, foi classificado em 2009 pela UNESCO como Património da Humanidade, pelos critérios II, III e VI.

O critério II prende-se aos monumentos e vestígios ainda existentes na Cidade Velha enquanto testemunhos do seu papel nas trocas comercias. Critério III, pela sua paisagem urbana, marítima e pitoresca que remetem aos mais de 3 séculos de escravidão dos seres humanos. Já o critério VI, por ser o berço da primeira sociedade mestiça que se difunde pelo Atlântico através da gastronomia, farmacopeia, e outros saberes.

Preservar as caraterísticas realçadas no critério III, nomeadamente à paisagem urbana tem sido o grande desafio do poder local e central. E é neste sentido, que no quadro da atualização do plano de gestão da Cidade Velha, horizonte 2018-2022, o IPC, em parceria com a Câmara Municipal de Ribeira Grande de Santiago, realizou o workshop sobre “Gestão Urbana: Proteção e Valorização da Paisagem Urbana Histórica”.

Um encontro que teve como foco a discussão de soluções para o desenvolvimento urbano sustentável, horizonte 2022, sem colocar em causa a preservação do património arquitetónico e arqueológico, em benefício da melhoria da qualidade de vida e bem-estar dos residentes e visitantes.

Em Cabo Verde coabitam o estilo arquitetónico vernacular, colonial e contemporâneo. A Cidade Velha, em particular, alberga o estilo vernacular. Porém, com o desenvolvimento económico e social, tem-se pautado e aspirado a modernidade. O que leva o arquiteto e um dos formadores, Adalberto Tavares, a questionar: “até que ponto a arquitetura vernacular satisfaz a comunidade da Cidade Velha, atualmente?”

No entender deste arquiteto, o estilo tradicional e identitário da Cidade Velha, deveria ser preservado, não somente pelo valor acrescentado que confere à cidade, mas pelas vantagens que comporta a nível de durabilidade e até mesmo por serem construções que não agridem a natureza. Muito embora acredite também na possibilidade de se pautar pela adaptação da arquitetura vernacular, aos novos tempos.

Adaptações que podem passam pelo projeto mais cidade, desenvolvido pela Câmara Municipal da Ribeira Grande de Santiago, que prevê a requalificação urbana e consequente valorização deste Sítio Histórico classificado. O projeto foi apresentado, aos formandos, pelo Arquiteto Amândio Tavares, outro formador e Diretor do Gabinete Técnico da edilidade local.

Outro aspeto importante e que será crucial na gestão do Sítio é o manual ilustrado e referidas normas para as construções e intervenções na Cidade Velha, que muito se tem reivindicado. Um trabalho que esta a ser realizado pelo Gabinete Técnico Conjunto, realçado pelo Presidente do IPC - Instituto do Património Cultural, Hamilton Jair Fernandes, no decorrer de sua intervenção.

Fernandes frisou que o problema em questão, não é apenas da Cidade Velha - Património Mundial e dos Centros Históricos Nacionais. É muito mais abrangente, tanto é que a UNESCO tem trabalhado no sentido de resolver esta dicotomia existente entre a preservação e o desenvolvimento urbano.

Ao longo do workshop realizou-se mais uma sessão de debate e dinâmica de grupo por forma a recolher subsídios para melhor gestão urbana, apontando os pontos fortes e fracos e as melhorias para os mesmos.

Os formandos acreditam ser necessários maior e melhor articulação com a comunidade, colocando-o no centro das decisões, melhorar os espaços públicos, criação de infraestruturas, repensar o património ambiental do sítio, entre outros aspetos.

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