A insularidade do país e a sua variedade e riqueza cultural, seja ela material ou imaterial, fazem com que seja urgente a sua conservação in situ e a sua divulgação a nível nacional.

Se num passado recente foi idealizado o Plano Estratégico Intersectorial da Cultura (PLEI-Cultura) para tentar organizar e garantir o acesso a cultura, despoletando assim o surgimento de espaços museológico em vários pontos do país, hoje a realidade existente nos obriga a definir as políticas de atuação, as prioridades, as linhas orientadoras e planificar as ações no sentido de transformar os espaços museológicos em equipamentos ao serviço das comunidades, do seu desenvolvimento e da valorização do território, conforme estabelecido no programa do governo para a legislatura e recomendado nas agendas internacionais, nomeadamente no que se refere aos objetivos do desenvolvimento sustentável que colocam a cultura no centro das atenções e defende a criação de um conjunto de dinâmicas a volta dela e dos setores que alberga, no sentido de melhorar a qualidade de vida das pessoas através da sua valorização.

Hoje, com um panorama museológico contabilizando um total de 24 estruturas, é deveras importante estabelecer as bases de organização e gestão dos equipamentos culturais, sob pena de continuarmos num “círculo” de indecisões ou de decisões avulsas.

É entendimento institucional e governamental que é o momento de documentar e regrar a atividade museológica do país, no que concerne a criação, organização e gestão dos espaços, até a questão da comunicação museológica e sua utilização para o desenvolvimento sustentável das comunidades, recorrendo a tecnologia que nos suporta em matéria de melhoramento, pesquisa e divulgação no ramo dos museus, das coleções e das exposições que se realizam ou se pretendem realizar no território nacional.

Tendo em vista a plena materialização de todos os pressupostos acima mencionados, surge o Conceito de Museus de Cabo Verde, cujo foco principal está na valorização das estruturas existentes, pautando pela sua melhoria e modernização e introdução de uma dinâmica capaz de acompanhar todos os desafios da sociedade global.

É certo que a sua implementação requer um investimento inicial forte nos primeiros anos para posteriormente apostar na autossustentabilidade de cada estrutura museológica do país. Neste sentido, a implementação do conceito abarca um conjunto de desafios que passam, principalmente, pelo investimento na melhoria e modernização das estruturas, no quadro de pessoal e no discurso expositivo com introdução de novas tecnologias.

Os investimentos previstos no projeto têm uma duração de aproximadamente 3 anos, período no qual todas as estruturas acima mencionadas serão alvo de grandes intervenções e investimentos em todas as linhas (investigação, produção de conteúdos, inovação e modernização das estruturas e do discurso expositivo) para poderem posicionar como espaços de excelência nas dinâmicas que o setor turístico exige e no quadro de uma forte aposta na educação e sensibilização da sociedade em matéria de preservação da herança cultural do país.

Museus de Cabo Verde

Mapa Museus IPC