As questões relativas às políticas de conservação do património histórico e cultural são mais complexas do que parecem ser em um primeiro momento. Exigem reflexão, análise e múltiplos pressupostos do espaço e do tempo em que foram produzidos os mais variados bens da humanidade.

Há que se fazer reflexão sobre o que é a conservação e o que ela representa, assim como qual a posição que um determinado bem alcança numa sociedade. Desta, procedimentos e recomendações importantes devem ser salvaguardados.

No que diz respeito à reabilitação do património, ainda, é bastante comum surgirem dúvidas entre os conceitos de manutenção, conservação e reabilitação, sendo importante conhecê-los por forma a facilitar a compreensão das mesmas. A manutenção deve ser entendida como a proteção contínua da substância, do conteúdo e do entorno de um bem e não deve ser confundido com o termo reparação que implica a restauração e a reconstrução (Carta de Burra, 1980 – ICOMOS).

Assim sendo, a mesma carta define a conservação como os cuidados a serem dispensados a um bem para preservar-lhe as características que apresentem uma significação cultural. De acordo com as circunstâncias, a conservação implicará ou não a preservação ou a restauração, além da manutenção; ela poderá, igualmente, compreender obras mínimas de reconstrução ou adaptação que atendam às necessidades e exigências práticas. Salienta que a (Carta de Veneza de Maio de 1964, Artigo 5º) conservação dos monumentos é sempre favorecida pelo destino a uma função útil à sociedade; tal finalidade é portanto, desejável, mas não pode nem deve alterar à disposição ou a decoração dos edifícios.

É somente dentro destes limites que se deve conceber e se pode autorizar as modificações exigidas pela evolução dos usos e costumes. 

Tendo em consideração os pressupostos  referenciados, a escolha dos bens que integram a lista nacional de reabilitação de bens patrimoniais, é fundamentada por uma serie de detalhes, nomeadamente, a urgência de intervenção no edificado, evitando assim a sua perda que seria um empobrecimento do legado histórico e patrimonial nacional, mas também, pelos critérios valorativos que os mesmos ostentam.

Eixo IV - PRRA