Fachada CCT

O Campo de Concentração do Tarrafal foi concebido inicialmente pelo regime salazarista, em 1936, para encarcerar presos políticos portugueses e posteriormente, para albergar revolucionários provenientes das antigas colónias portuguesas (Guiné Bissau, Angola e Cabo Verde). O complexo prisional compreende vários compartimentos, muito deles construídos à custa do trabalho forçado dos primeiros presos.

Dentro do regime salazarista existiam outros espaços com mesmo cariz, entre os quais: Caxias, Peniche e Angra de Heroísmo – Portugal; Ilha das Galinhas – Guiné Bissau; São Nicolau – Angola. Contudo, pela durabilidade, pela transnacionalidade, pelo elevado grau de severidade, de maus tratos e traumas causados, o Campo de Concentração do Tarrafal destaca-se das demais.

No complexo prisional, deparamos com a caserna para os soldados, lavandaria, central elétrica, secretaria, armazéns, cozinha, refeitório, capela e residência para os chefes e policias. O edifício prisional, em si, possui uma planta retangular, circundada por muralhas de betão, refletindo o sistema de defesa das fortalezas medievais e caraterizada pela sua imponência e inexpugnabilidade.

Em 2014, o Governo de Cabo Verde, pela resolução nº33/2006, de 14 Agosto, elevou o Campo de Concentração, a Património Nacional. Reconhecendo-o como um símbolo da resistência contra os ditames do regime salazarista, e um sítio de memória dolorosa, que é testemunho do custo da liberdade.

Enquanto monumento, o edificio, enquadra-se na categoria de monumento histórico. Isto atendendo ao fato de sua conservação apresentar, do ponto de vista histórico, arquitetónico ou artístico, um interesse público, devido a sua utilização durante os vários regimes.

Actualmente integra a lista indicativa de Cabo Verde na UNESCO.