San jon bravaNa ilha Brava à semelhança do Porto Novo, os preparativos para a festa começam com alguns dias de antecedência, mas é na antevéspera (rabespa), dia 22, que a azáfama se intensifica. Este é o dia do poi bandeja, que acontece na casa do festeiro (o responsável pela organização da festa), ritual que consiste no corte e colocação de fatias de bolo e biscoitos em tabuleiros, feito pela cortadeira do bolo.

Esses bolos e biscoitos, bem como grogue, sumos, vinho, whisky, etc., são destinados a um outro momento caraterístico da festa que se realiza na rua da casa do festeiro: noite do pilão que acontece na véspera de S. João.Colocam três a quatro pilões na rua, cada um com duas ou três pessoas para preparar o milho para o xerém de festa e para a cachupa, sob orientação da kolexa que é a pessoa que marca o ritmo do pilão. Ao som do kolá tambor, pedem saúde e prosperidade para o festeiro atual, para os  antigos e para todos que participam na festa.

O Mastro de São João é esperado com grande expectativa. Tudo é organizado pelo Festeiro que tomou a bandeira no ano anterior. Este terá que ser uma pessoa responsável e com condições para garantir a continuidade da festa. O Festeiro coordena as pessoas na organização e montagem do mastro que é erigido no dia 24 de junho. Começam a vestir mastro (ornamentar) na véspera de S. João com produtos oferecidos por populares. Toda a oferta é bem-vinda. O Festeiro contribui, mas recebe colaborações para que as pessoas se sintam parte da organização da festa.

As canastras, bolos e pães em forma de santo, chaves de S. João, barcos, cruzes são colocadas em todas a extensão do mastro. Colocam verduras, frutas da época e importadas, legumes, enfim tudo o que foi oferecido. Alguns emigrantes e pessoas com alguma posse, colocam ainda bolsas com dinheiro, relógios e outros objetos de valor no mastro. Atualmente Nhô Djick, é o principal ornamentador do mastro.

No dia 24 de Junho, de manhã, depois de bem enfeitado o mastro é fixado num local estratégico para que todos possam apreciá-lo. Alguns curiosos aproveitam para escolher os produtos com mais valor. Por volta das 17 horas, começa o “kolá tambor” à volta do mastro. As pessoas dançam ao ritmo do tambor numa grande euforia. A dado momento, com o aviso de um apito acontece o “dá Bóti” que consiste em assaltar o mastro e retirar tudo o que for possível. Durante alguns minutos pessoas “pilham” o mastro até não ficar mais nada além da bandeira.

É neste momento que o Festeiro autoriza uma pessoa a subir no mastro para retirar a bandeira que será entregue pelo festeiro cessante ao que se oferecer para ser o próximo. Se ninguém se oferecer, a Câmara Municipal assumirá a bandeira no próximo ano.

Seguidamente acontece mais um kolá tambor, com os elegantes cavalos a dançar ao rimo dos tambores.

 

 

São João na Brava