Vista Geral CCT

Vista Geral CCT

O Campo de Concentração do Tarrafal foi construído de forma faseada. Várias foram as obras de ampliação e remodelação a que foi sujeito até ganhar a sua atual fisionomia na década de 1960.

Após estudos preliminares realizados em 1934, nas ilhas de São Nicolau e Boavista, Salazar decretou, em 8 de outubro de 1935, que o melhor local para a instalação do Campo de Concentração, destinado a albergar presos políticos, seria no Tarrafal de Santiago.

Para o efeito, criou-se uma comissão nomeada pelo ministro do interior e constituída pelos engenheiros Heitor Mascarenhas Inglês e Francisco de Melo Ferreira de Aguiar e pelo arquiteto Cotineli Telmo. Esta comissão apresentou, em Maio de 1936, o projeto de Colónia Penal, em que se previa a existência de 28 pavilhões, para além de instalações para os guardas e restante pessoal.

O início da guerra civil espanhola, em Julho de 1936, acelerou a construção desta Colónia Penal. Assim, logo após o começo das hostilidades, organizou-se o “Campo Provisório da Colónia Penal de Cabo Verde”, constituído por 24 barracas de lona para 20 pessoas cada e mais 9 de menores dimensões, destinadas a alojar entre 160-180 reclusos e uma força militar de 80 cabos e soldados. As barracas para os reclusos localizavam-se dentro do recinto vedado por arame farpado, ao longo do qual, exteriormente, foram colocadas 8 guaritas montadas sobre cavaletes de madeira.

A 29 de outubro desse ano, chegam os primeiros 151 deportados.

Os presos, na maioria provenientes da Revolta dos Marinheiros de Setembro de 1936, inauguram as instalações da Colónia Penal, caracterizadas pelas péssimas condições de higiene e habitabilidade, bem como pela inexistência de eletricidade.

As barracas, devido ao sol e às chuvas, depressa começaram a apodrecer, agravando as condições de saúde dos prisioneiros. Os ventos abanavam as estruturas, entortando ou partindo os ferros que as sustentavam. Em noites de vento mais forte, a poeira invadia tudo, rasgava as lonas, deixava algumas barracas sem tetos; os suportes de madeira cediam e os prisioneiros eram obrigados a passarem a noite a consertar as suas “moradias”.

Com o tempo, surgem as barracas construídas de pedras, muitas pelos próprios prisioneiros, ironicamente, como se estivessem a construir o seu próprio túmulo.

 

 

Date

02 fevereiro 2018

Tags

Museu da Resistência