Replica da Frigideira

Replica da Frigideira

Não restam dúvidas, que o lado mais negro do Campo de Concentração foram as torturas e os trabalhos forçados executados pelos carcereiros, numa clara intenção de vergar a resistência dos presos políticos ali desterrados.

Assim, os maus tratos, o isolamento, as humilhações, a estátua, a tortura do sono, o segredo, os espancamentos eram algumas das práticas desumanas, devidamente aprovadas pela cúpula do regime fascista.

Neste particular, a «Frigideira» construída, logo após a tentativa de fuga coletiva realizada em 2 de Agosto de 1937, constituiu o instrumento maior, para perpetuar os castigos. As dimensões reduzidas da cela, sem janelas, à semelhança de uma caixa-forte, construída longe de qualquer ponto que pudesse proporcionar qualquer sombra, originavam um cenário Lúgubre.

Os infortunados que por ali passaram tiveram que suportar temperaturas que atingiam os 50° C; ar denso devido à falta de renovação da mesma e devido aos dejetos dos reclusos; dieta à base de água e pão; falta de assistência médica; doenças de foro intestinais e psíquicas; impossibilidade de efetuar a higiene pessoal; permanência que poderia ascender aos 70 dias.

 Tais condições pioravam, quando se aglomerava certo número de reclusos na «Fringideira». Com efeito, o ar escasseava, o calor multiplicava o mal estar e a ração da água diminuía.

Muitos eram os motivos pelos quais os presos eram castigados na «frigideira», sendo o mais comum os protestos contra a redução do rancho, bem como a recusa para trabalhar. Aliás, o trabalho forçado em especial na construção dos próprios abarracamentos do Campo de Concentração, constituiu outra marca fundamental da política repressiva ali executada.

Na segunda fase de funcionamento do Campo de Concentração a «Frigideira» foi substituída pela «Holandinha», mais discreta e dissimulada dentro de uma arrecadação. Mas a sua função permanece: tentar aniquilar a vontade de resistência dos presos.

 

Date

02 fevereiro 2018

Tags

Museu da Resistência