Sao joao

A festa de São João Baptista é, por essência, de cunho religioso, mas ela se reveste de elementos pagãos cujas origens remontam a era pré-cristã. Com efeito, a data em que é celebrada a festa de São João, 24 de junho, praticamente coincide com o solstício de verão, 23 de junho (dia mais longo do ano), evento festejado em vários países da europa mesmo antes da era cristã. 

Com o advento do cristianismo na europa, São João e outros santos populares, começam a ser celebrados, sobretudo nos países que abraçam a fé católica. Em Portugal a festa de são João é celebrada desde o séc. XIV. De Portugal “São João” foi transplantado para outras regiões do globo, na sequência da expansão marítima iniciada a partir do sec. XV. Entretanto, em Cabo Verde, não há dados concretos que permita afirmar com certeza o inicio do festejo de São João. O certo é que já no séc. XVI começam a surgir, em Santiago, referências a freguesias criadas em sua devoção. De Santiago, o culto a São João terá passado pelas ilhas do Fogo e da Brava, e, posteriormente, pelas ilhas de Barlavento.          

A festa de São João, santo que batizou Jesus Cristo, é celebrada em várias localidades do arquipélago com maior incidência no concelho do Porto Novo em Santo Antão e na ilha Brava, onde esse dia é feriado municipal. Em S. Vicente, S. Nicolau, Fogo e Santiago, é celebrado com menos intensidade. 

Os preparativos começam com muita antecedência. A igreja nesta fase é uma mera convidada. Contudo, o pároco é informado constantemente dos preparativos. Se for o caso criam fundos para cobrir as despesas, através de peditórios, rifas, contribuições individuais ou mesmo de alguma instituição. 

Na preparação do andor de S. João, somente os indicados pela igreja é que podem concretizar esta tarefa. Nalgumas ilhas o santo deverá percorrer quase todas as localidades do concelho, antes do dia 24 de junho. Neste caso, nas localidades que o Santo visita acontece também uma preparação prévia para o receber e festejar durante a sua estadia. É nesta fase que os tamboreiros começam a “experimentar” os tambores para que no dia estejam bem afinados. Os artesãos locais colocam todo o seu conhecimento na restauração das igrejas e enfeite dos navios. 

Os navios são construídos numa escala reduzida, com uma grande abertura no centro que permite a um homem entrar nele e segurar o navio com as duas mãos por intermédio de correias estrategicamente colocadas para que fique à altura da cintura. Este homem é tido como o navegador e maneja o navio em consonância com os apitos e tambores, como se estivesse no mar, sob orientações do comandante ou capitão vestido a rigor como se de oficial da marinha se tratasse. Ao longo da caminhada os homens vão revezando-se, pois o navizinho não é leve. Em S. Vicente este acessório é uma peça fundamental da festa. (E.T)

A gastronomia é assegurada pelas cozinheiras que desde cedo começam a organizar-se. Nos dias que antecedem a festa, preparam diversos pratos tradicionais para alimentar os colaboradores e os convidados que chegam. Grande parte da comida relacionada com as festividades de São João, é derivada do milho.  Antigamente em S. Vicente, na Ribeira de Julião, a principal atração gastronómica era o “midje in gron”.

Nalguns locais a festa de São João é a oportunidade para evidenciar alguns jogos e práticas tradicionais. O ambiente que se cria nos espaços dedicados a estas atividades é de um verdadeiro parque de diversões feito com materiais reciclados tais como ramos secos, sacos e mesmo árvores. As mesas de jogos de azar são muito procuradas. Em S. Vicente e Santo Antão jogam o “dupatrão” (jogo de dados), roleta, entre outros jogos tradicionais típicos da época. 

Nalgumas ilhas organizam corridas de cavalo (Santo Antão) Burro (S. Vicente). Organizam ainda diferentes desafios e brincadeiras diversas tais como corridas de saco, corridas de ovos, corridas de três pés, etc.

São João em Cabo Verde